O Banco Central (BC) publicou nesta
quinta-feira (6/3) alterações no Regulamento do Pix para exigir
que as instituições financeiras e instituições de pagamento participantes
garantam que os nomes das pessoas e das empresas vinculadas às chaves Pix
estejam em conformidade com os nomes registrados nas bases de CPF (Cadastro de
Pessoa Física) e de CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da Receita
Federal.
A inconformidade dos CPFs e CNPJs que
restringirá o uso do pix não tem relação com o pagamento de tributos, mas
apenas com a identificação cadastral do titular do registro na Receita Federal.
A própria Instrução
Normativa RFB 2172, de 09 de janeiro de 2024, que dispõe sobre o
CPF, determina que a situação cadastral no CPF independe da
regularidade dos pagamentos dos tributos administrados pela Receita Federal. A
verificação de conformidade deverá ser efetuada sempre que houver uma operação
envolvendo uma chave Pix, como um registro, uma alteração de informações, uma
portabilidade ou uma reivindicação de posse.
Os participantes do Pix deverão excluir
chaves de pessoas e de empresas cuja situação não esteja regular na Receita
Federal. CPFs com situação cadastral “suspensa”, “cancelada”, “titular
falecido” e “nula” e CNPJs com situação cadastral “suspensa”, “inapta”,
“baixada” e “nula” não poderão ter chaves Pix registradas na base de dados do
BC. Para
saber a situação do seu documento, basta verificar no site da Receita federal. Além
disso, é possível regularizar a situação do CPF, conforme orientação no site da
Receita Federal.
Para entender a medida do Banco
Central, é preciso compreender que criminosos se valem tanto de documentos
duplicados quanto invalidados ou com dados inconsistentes para aplicarem
golpes. Números de CPF de pessoas mortas também são utilizados em estelionatos,
bem como números de CNPJ de empresas que já foram fechadas ou que estão em
atividade suspensa. A medida do Banco Central traz segurança para esses
contribuintes, que podem ter seus dados envolvidos em golpes, assim como para
as demais pessoas, a partir do momento que dificulta a ação de criminosos.
A Receita
Federal, visando ampliar a segurança digital e a proteção dos dados dos
cidadãos lançou a ferramenta Proteção do CPF. Essa nova
funcionalidade oferece ao cidadão, de forma intuitiva, a possibilidade de
impedir que o seu CPF seja incluído de forma indesejada no quadro societário de
empresas e demais sociedades. Basta acessar o site https://permissao.negocios.redesim.gov.br/consultar
Trata-se de uma funcionalidade
gratuita, que protege o CPF do cidadão em todo o território nacional. Além
disso, abrange todos os órgãos registradores (Juntas Comerciais, Cartórios de
Registro de Pessoas Jurídicas e OAB) e alcança todos os tipos jurídicos,
incluindo o Microempreendedor Individual — MEI e o Inova Simples. Com o CPF
protegido, caso deseje participar de algum CNPJ, o cidadão poderá reverter o
impedimento de forma simples, acessando a mesma funcionalidade e alterando a
situação.
Com as novas medidas, será mais difícil
para os golpistas manterem chaves Pix com nomes diferentes daqueles armazenados
nas bases da Receita Federal. Para garantir que os participantes do Pix cumpram
as novas regras, o BC irá monitorar periodicamente a conduta dos participantes,
podendo aplicar penalidades para aquelas instituições que apresentem falhas
nesse processo.
Além disso, o BC está criando uma
segunda linha de defesa, em que o próprio BC atuará ativamente para detectar
chaves Pix com nomes diferentes do registrado na Receita, para garantir que os
participantes excluam ou ajustem essas chaves.
O BC proibiu a alteração de informações
vinculadas a chaves aleatórias e a reivindicação de posse de chaves do tipo
e-mail. Pessoas e empresas que usam chaves aleatórias e que queiram alterar
alguma informação vinculada a essa chave não poderão mais fazê-lo. A partir de
agora, deve-se excluir a chave aleatória e criar uma nova chave aleatória, com
as novas informações.
Pessoas e empresas que queiram
reivindicar a posse de um e-mail também não poderão mais fazê-lo. Chaves do
tipo e-mail não poderão mais mudar de dono. Apenas chaves do tipo celular
continuam a ter acesso a essa funcionalidade, para permitir que números de
celular pré-pago, que podem mudar de dono, também possam mudar de dono quando
registradas como chave Pix.
Por fim, o BC liberou a realização de devolução de qualquer valor em dispositivos de acesso não cadastrados. A medida que restringiu a iniciação de transações Pix em dispositivos de acesso não-cadastrados a valor de, no máximo, R$ 200,00, que entrou em vigor em novembro de 2024, estava impedindo que transações de devolução de boa-fé iniciadas pelo próprio recebedor pudessem ser feitas a partir de dispositivos não-cadastrados.
Fonte: Gov.br
(https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2025/03/banco-central-aprimora-seguranca-do-pix)